Alexandre Assumpção
alexandrebob2007@hotmail.com
 
Ler não Dói Nada
  13/08/2010
 


A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri

Oliviero Toscani

GDL:intermediário

 

               

 

Já li esse livro e resenhei há vários anos. Resolvi relê-lo e vi que está cada dia mais atual, portanto fiz outra crônica do mesmo, atualizada para os dias de hoje. Nesse livro, Oliviero desenvolve sua concepção sobre a publicidade. Para ele, a publicidade convencional como a conhecemos, erotizada, jovem, engraçada, frívola, com supermodels tão famosas quanto os produtos que anunciam e orçamentos absurdamente altos, já está ultrapassada.

 

Oferece como contraponto a essa visão uma publicidade provocante, instigadora, agressiva por vezes, mas sempre forte, bela, marcante, inesquecível. Qual marca pode, quase 20 anos depois de sua veiculação, se dar ao orgulho de ter lembradas várias de suas campanhas pelo público consumidor em todo mundo, como os outdoors da freira e do padre se beijando, a tatuagem de HIV positivo na pele, a mulher negra amamentando a criança branca, as camisinhas coloridas e o anúncio com mais de 50 closes de pênis e vaginas, todos assinados com United Colors of Benetton?

 

Em um mercado tão "moderninho", mas na verdade bastante conservador, Oliviero desafia as grandes verbas, anunciantes e agências e mostra que, com espírito ousadia e criatividade, é possível sim fazer propaganda de qualidade. Primeiro artista a mixar propaganda e jornalismo como forma de expressão, e utilizar esse mix para gerar mais publicidade através de sua divulgação jornalística, Oliviero, mais do que contestar, abriu uma nova estrada, um novo caminho para esse já tão desgastada senhora chamada publicidade, passar.

 

E como o tempo é o aliado dos grandes gênios, sua visão de que a publicidade estava ultrapassada, revelou-se mais do que verdadeira. Em 2010, as mídias sociais, blogs, twitter e tantas formas de se comunicar um a um envolvendo o próprio consumidor ativamente no processo vem minando, retraindo e reposicionando publicidade, clientes e agências no mundo todo. Mais do que sorrir, o cadáver se vira no túmulo. Mas mesmo assim, ainda está morto. 

 

Lovemarks - O futuro além das marcas

Kevin Roberts, 221 páginas

GDL: iniciante

 

                

 

Esse livro, além de apaixonante enquanto formato para falar de marketing e marcas, é uma abordagem interessantíssima. Fala da criação de fidelidade e paixão dos consumidores pelas marcas e como fazer isso bem feito, o que realmente não é fácil. Kevin, o autor, diz que "O amor é o caminho para as empresas" e que as marcas tem que ter "Mistério, Sensualidade e Intimidade"e que com isso serão "Lovemarks".

A análise brilhante e crítica do autor é bastante envolvente e, seus argumentos, bastante objetivos: as marcas convencionais simplesmente perdem a atratividade com o passar do tempo.

 

Sempre digo em minhas palestras que as marcas são como pessoas, criamos relações com marcas como se fossem pessoas, por isso elas precisam ter personalidade, caráter, humor, novidades. Quem curte um amigo que não tem essas características? Coca-Cola, para mim, é uma amiga que a gente bebe.

 

A solução do autor, seria criar produtos e experiências com o poder de estabelecer conexões emocionais duradouras com seus consumidores. A idéia é que são os consumidores que são donos das Lovemarks. Pense em Coca-Cola, Aple, Starbucks e vc vai entender isso rapidamente. Muita gente defende essas marcas como defenderia um amigo ou um familiar.

 

Cabe lembrar que Kevin Roberts é CEO da Saatchi e Saatchi, , uma companhia de idéias com sede em 82 países e não um apenas um visionário, ele exercita na prática o que fala nesse livro.

 

Se você trabalha com marketing ou é dono de uma empresa, por menor que ela seja, por favor, leia esse livro, depois dê de presente para algum amigo seu que trabalhe com isso, é um livro fundamental para pessoas e empresas, fundamental para negócios. As pessoas não estão mais interessadas em marcas que somente oferecem qualidade e preço baixo, até porque isso qualquer chinês pode oferecer, mas sim em conexões emocionais, produtos que realmente as estimulem e as satisfaçam, mantendo relações próximas com eles. Em pleno 2010, quem ainda não sabe disso, está perdendo dinheiro.

 

Grandes gurus da propaganda nacional, como Nizan Guanaes e Washington Olivetto, dizem que empresário gaúcho sabe produzir, mas não sabe vender. Dizem que gaúcho tem síndrome de Gabriela, aquela do Jorge Amado, cuja musiquinha na TV era: "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabrieeeeeelllaaa..." o problema é que, agora, no ritmo que as coisas estão, com paulistas cariocas, americanos espanhóis comprando tudo, porque são rápidos, inteligentes e sabem que o sentido das coisas não está no produto e sim na forma de vendê-lo, a musiquinha terminaria assim: "fui vendido assim... eu morri assim...".

 

Saiba mais sobre o colunista:
Alexandre Assumpção é publicitário, tem 42 anos. É um dos mais premiados publicitários gaúchos e foi escolhido "Publicitário do Ano" em 2005 e "Empresário de Mkt Promocional do Ano" em 2006, ambos pelo Prêmio Colunistas, um dos mais antigos e importantes do Brasil. É também um leitor voraz de todo tipo de literatura, já tendo lido mais de 1.400 livros. Para esta coluna, Alexandre faz suas crônicas dividindo os livros em 3 categorias: iniciante: para pessoas que querem apenas uma diversão rápida e inteligente, intermediário: para leitores que tem hábito de ler e buscam um texto mais elaborado e avançado: para leitores contumazes, que lêem freqüentemente e estão acostumados à uma literatura mais sofisticada. Todos os livros são leituras interessantes, o que muda no caso é o grau de interesse ou necessidade do leitor.

   

   
 
   
  "O QUEB não se responsabiliza pelas opiniões emitidas e imagens divulgadas pelos seus Colunistas".
 
   


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